quinta-feira, 5 de junho de 2008

Grupo do prefeito Mundiquinho tenta dar golpe na UMES e calar a voz dos estudantes

Dário Silva, com o microfone; ao seu lado, Gilvânio Coelho, Telso Cruz e Paula Celina: o grupo Mundiquinho tenta "dar as cartas" na UMES. 
Dário, com o microfone; sob pressão, Zé Mário, Sec. de Administração, dá explicações aos manifestantes.   

Estudantes em passeata pela meia-passagem.

Sexta-feira passada, 30/05, a União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES) de Pio XII conseguiu a aprovação na Câmara de Vereadores do projeto de lei que concede meia passagem aos estudantes no serviço de mototáxi.
À tarde do mesmo dia, a UMES realizou o que deveria ter sido o seu 6º congresso.

A mobilização pela meia-passagem
Na manhã da sexta, a entidade mobilizou os estudantes e foi à Câmara pressionar para a aprovação do projeto da meia-passagem. Os estudantes ocuparam as dependências do legislativo municipal enquanto o presidente da UMES, Dário Silva, utilizava a tribuna da Câmara para explicar a importância da lei. O projeto foi aprovado por unanimidade. 
Depois, a direção da UMES e os estudantes dirigiram-se à prefeitura de Pio XII para solicitar o compromisso do prefeito com a sanção da lei. Em frente à prefeitura, os estudantes pediram a presença do prefeito Mundiquinho para confirmar que a lei seria sancionada, mas Mundiquinho não apareceu. Diante dos protestos dos secundaristas, o secretário de Administração, José Mário Rios de Sousa Sobrinho, desceu para conversar com os estudantes, afirmando que o prefeito receberia a lei e provavelmente a sancionaria.

Deveria ter sido um congresso, mas...   
À tarde, os estudantes se encontraram no clube Drink Som para participar do 6º Congresso da UMES. Porém, o que deveria ter sido um congresso, terminou sendo um ato para a divulgação da nova carteira estudantil.
Entre os cerca de cento e cinqüenta estudantes presentes, poucos eram os de nível médio.
Não foi realizada nenhuma discussão sobre os problemas educacionais do município. Dessa forma, os estudantes perderam uma excelente oportunidade para apresentar propostas que busquem o funcionamento de um transporte escolar digno e de qualidade, a democratização da gestão escolar, com eleição direta para diretores das escolas municipais e estaduais, um conselho do FUNDEB transparente e aberto ao diálogo com os estudantes e a sociedade – já que o atual conselho é controlado pela prefeitura, não se reúne nem presta contas com a comunidade – implantação de grêmios estudantis democráticos e combativos, entre outras propostas.
O que predominou no pseudocongresso foi a propaganda em prol da administração Mundiquinho. E, de fato, na mesa que compunha o congresso, três secretários municipais estavam representando o prefeito: Gilvânio Coelho (Infra-estrutura), Paulo Celina (Saúde) e Telso Cruz (Cultura), além de Assis Filho, presidente da Central da Juventude (Cejuv), que também fez propaganda do prefeito de Pio XII.
À noite, os estudantes voltaram a se encontrar no clube Drink para comemorar a conquista da meia-passagem.

Um golpe para calar a voz dos estudantes
A prefeitura de Pio XII havia se comprometido a patrocinar a comemoração dos estudantes à noite no clube Drink. Assim, o presidente da UMES, Dário Silva, procurou o secretário de Infra-estrutura, Gilvânio Coelho, para a concretização do patrocínio. Mas, de última hora, inexplicavelmente, a prefeitura de Pio XII decidiu suspender a ajuda à festa dos estudantes.
A razão de a prefeitura ter retirado o seu apoio à festa da UMES foi devido à mobilização realizada pela manhã. A filha do prefeito, e secretária de Saúde, Paula Celina, irritou-se com a manifestação dos estudantes em frente à prefeitura e culpou o presidente da UMES, Dário Silva, por não ter evitado a expressão livre e democrática dos estudantes.
Não é esta a primeira vez que a administração Mundiquinho se irrita com a liberdade de expressão e a independência de opinião. O próprio Dário Silva já foi vítima desse abuso em outras oportunidades. Em 2006, por exemplo, durante a campanha eleitoral para o governo do Maranhão, a secretária de Ação Social, Celina Figueiredo, irritou-se com Dário por este ter se recusado a vestir uma camisa com a foto da senadora e candidata a governadora Roseana Sarney. Por ter tido a coragem de ser autêntico, Dário foi vítima de perseguição, sendo remanejado do seu local de trabalho e sofrendo humilhações por parte de secretários e outros membros da administração Mundiquinho.
A atual diretoria da UMES de Pio XII entrou para a história com uma vitória ética e combativa, que mobilizou amplos setores sociais, inviabilizando o peleguismo dos ex-presidentes da entidade, Assis Filho e Pedro Lopes, que, em vão, tentaram até o último momento impedir por meio de fraude a vitória de Dário Silva e seus companheiros.
Porém, depois da vitória, a diretoria eleita não voltou a manter contato com os estudantes. Em contrapartida, continuou dependendo financeiramente da prefeitura de Pio XII. Com a proximidade da eleição para prefeito e vereador, a administração Mundiquinho resolveu chantagear a UMES, retirando a verba que repassava mensalmente para a entidade. Diante da independência política de Dário e seus companheiros, o grupo Mundiquinho começou a pressionar a diretoria da UMES para apoiar explicitamente a reeleição de Mundiqunho. Para isso, o representante do núcleo do Sinproessema, Laestro Pereira, foi escolhido para negociar com a UMES o apoio a Mundiquinho, garantindo que dessa forma a entidade continuaria recebendo dinheiro da prefeitura.
Depois disso, o que se viu foi reuniões sendo realizadas sem a presença do presidente da UMES, dinheiro sendo distribuído para membros da UMES e uma pressão cada vez maior para que Dário Silva abandone a entidade e a UMES assuma a campanha de Mundiquinho para prefeito.
Assim, a não-realização do congresso da UMES é conseqüência direta dessa tentativa de golpe por parte da administração Mundiquinho. O que deveria ter sido um congresso virou mera representação simbólica da política do pão e circo, com o secretariado do prefeito, triplamente presente no evento, junto com Assis Filho, que além de ter tentado fraudar a última eleição da UMES, escondendo a lista de votantes, é acusado também de ter ocupado ilegalmente o cargo de conselheiro da juventude, por ter sido escolhido como representante da UMES, quando nem fazia mais parte da entidade nem era mais estudante secundarista, conforme denúncia feita na coluna do Dr. Peta, do Jornal Pequeno, de 9/9/2007 (disponível em: http://www.jornalpequeno.com.br/2007/9/8/Pagina63549.htm).
A atual administração tenta também manter influência dentro da UMES através de dois diretores da entidade, Antonio Nilson Braga e Denildo Vale. A escolha desses dois não é acidental, como também não é coincidência o fato de ambos terem conseguido emprego na administração Mundiquinho Batalha. Detalhe: como não são concursados, os dois ocupam ilegalmente os cargos que o prefeito lhes “deu”.
Os estudantes precisam se mobilizar para garantir a independência da UMES, pois não podemos admitir o abuso de autoridade, o fim do direito de expressão, a política do “cala a boca”. A vitória da chapa de Dário Silva e seus companheiros foi um grande passo à frente no movimento estudantil de Pio XII; não se pode agora permitir que se dêem dois passos para trás.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Centro de Ensino Jansen Veloso discute a violência sexual

Na noite de ontem, 20, o Centro de Ensino Jansen Veloso (Cema) promoveu uma palestra sobre o problema da violência sexual contra crianças e adolescentes. A palestra foi apresentada pelo Dr. Moisés Caldeira Brant, promotor de justiça de Pio XII.

Além dos professores da escola, estiveram presentes os alunos do ensino médio e da 8ª série do ensino fundamental.

Na abertura da palestra, o gestor do Cema, José de Ribamar Jorge Andrade, e a gestora adjunta, Walkirya de Fátima Andrade, destacaram os esforços do corpo docente e administrativo da escola em prol de uma educação de qualidade, que, entre outros aspectos, refletiram-se no resultado do Enem (Exame Nacional de Ensino Médio) de 2007, com o Cema ocupando a melhor posição entre as escolas públicas da regional de educação de Santa Inês, que, além de Pio XII, compreende mais onze municípios.

Representando o corpo docente do Cema, o professor Gilcênio Vieira Souza ressaltou a importância da denúncia da violência sexual, como um ato de afirmação da cidadania. Em nome do corpo discente, o aluno Ronaldo Silva Gomes, do 2º Ano A, lembrou a beleza das relações de respeito recíproco entre as pessoas. O presidente da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Pio XII, Dário Silva, deu apoio efetivo ao evento e expressou a preocupação da entidade com o problema.

O promotor inicou a palestra com a apresentação de casos reais de violência sexual contra crianças e adolescentes, os quais ajudou a combater, ao longo de quinze anos de serviços prestados ao Ministério Público do Maranhão.

Em linguagem acessível à juventude, Dr. Moisés traduziu para o público conceitos juridicos como a violência e suas várias manifestações, violência sexual, exploração sexual, estupro, atentado violento ao pudor e outros termos diretamente relacionados ao problema.

Um dos aspectos mais interessantes da palestra foi quando o promotor chamou a atenção dos educadores para os indícios físicos e psicológicos da violência sexual, mostrando a importância de os profissionais da educação serem capazes de identificar esses sinais, quando presentes em sala de aula.

A palestra inclui-se entre as atividades da “VI Semana Estadual de Enfrentamento da Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes” e como incentivo à participação dos alunos no prêmio “Violência Sexual: esquecer é permitir, lembrar é combater”, uma iniciativa do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente e da Secretaria de Estado da Educação, que premiará as melhores redações sobre o tema.

domingo, 18 de maio de 2008

O sorriso de Araceli


Hoje, 18 de maio, é Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A data foi instituída pela lei federal 9.970, de 2000, em protesto ao bárbaro crime contra Araceli Cabrera Sanches Crespo que, aos 8 anos, em 1973, foi seqüestrada, drogada, espancada, estuprada e morta em Vitória, no Espírito Santo, por dois “filhinhos-de-papai” que tinham como diversão rondar os colégios da cidade em busca de meninas para serem viciadas e violentadas.

Infelizmente crimes como o que tirou a vida de Araceli continuam acontecendo.


O sorriso de Araceli


eu tinha apenas 5 anos

quando vi o sorriso de Araceli nos jornais

criança, eu não sabia que

aquela outra criança

não voltaria a sorrir

jamais

Araceli foi vítima

da violência de alguns homens

foi vítima de um mundo

doente da alma

vítima de uma sociedade desigual

do machismo, do capitalismo, do patriarcalismo

que trata mulheres e crianças

como coisas


o sorriso da criança Araceli

podia estar hoje no rosto da professora Araceli

levando esperança aos corações

das crianças

nas escolas

do nosso angustiado século XXI

mas não


outras Aracelis foram violadas

e seus sonhos viraram pesadelos

outras Aracelis continuam a morrer

pela brutalidade de alguns homens

e onde havia um sorriso

há sangue e tristeza


Aracelis, Anas ou Marias

ou Joões, Josés ou Franciscos

a beleza de suas pequenas vidas

depende só

de serem

tratados
como crianças


Gilcênio Vieira Souza, Pio XII, 18 de maio de 2006.

Poema originalmente publicado em: http://diariopedagogico.blig.ig.com.br

quinta-feira, 15 de maio de 2008

A convite do Centro de Ensino Newton Bello, promotor profere palestra sobre violência sexual


Ontem à tarde, no salão paroquial, em Pio XII, o Centro de Ensino Newton Bello promoveu a palestra “Violência sexual: esquecer é permitir, lembrar é combater”. A palestra foi proferida pelo promotor de justiça de Pio XII, Moisés Caldeira Brant.

O evento foi realizado como parte das atividades da “VI Semana Estadual de Enfrentamento da Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes” e do Dia Nacional de Combate ao Abuso Sexual de Crianças e Adolescentes, domingo próximo, 18 de maio.

Na abertura da palestra, a gestora do CE Newton Bello, Marineusa Oliveira Almeida, destacou a importância do evento e do diálogo entre o promotor e os alunos e professores presentes. Todo o quadro docente e discente do turno vespertino da escola participou do evento, além de professores do turno matutino.

O professor Gilcênio Vieira Souza falou sobre a origem da data, criada em homenagem a Araceli Cabrera Sanches, violentada e assassinada com apenas oito anos, em Vitória, capital do Espírito Santo, no dia 18 de maio de 1973. Para lembrar a violência contra a menina e contra milhares de outras Aracelis, vítimas da violência sexual, o professor Gilcênio escreveu há dois anos o poema “o sorriso de Araceli”, o qual foi apresentado aos participantes do evento e que faz parte do livro “Cessin em Cantos e em Contos”, lançado no mês passado pela Universidade Estadual do Maranhão .

O professor Silas Sousa Bezerra apresentou um texto mostrando aos educadores como identificar as marcas da violência sexual.

Em sua palestra, o promotor expôs didaticamente o que é infância, o que é adolescência, mostrou os vários tipos de violência existentes – até explicar em detalhes o tema central da palestra: a violência sexual.

Ao final da palestra, Dr. Moisés colocou-se à disposição da comunidade para o recebimento de denúncias, lembrando que o silêncio gera a impunidade e a multiplicação dos casos de violência sexual.

No encerramento, a gestora do CE Newton Bello agradeceu a participação de alunos e professores e o empenho de todos os que contribuíram para o sucesso da atividade, destacando a colaboração do presidente da União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES), Dário Silva, que, por sua vez, lembrou o compromisso da UMES com a juventude.

A palestra proferida pelo Dr. Moisés e outras atividades planejadas pela escola servirão de subsídio para os alunos do ensino fundamental e médio do CE Newton Bello participarem do prêmio “Violência Sexual: esquecer é permitir, lembrar é combater”, uma iniciativa do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente e da Secretaria de Estado da Educação, que premiará as melhores redações sobre o tema.

A cerimônia de premiação dos melhores trabalhos será no dia 11 de agosto, Dia do estudante.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Centro de Ensino Jansen Veloso se destaca com a melhor nota no ENEM entre as escolas públicas da região

O Centro de Ensino Jansen Veloso, mais conhecido como CEMA de Pio XII, teve a melhor nota no ENEM (Exame Nacional de Ensino Médio) entre as escolas públicas da regional de educação de Santa Inês. A regional compreende os municípios de Santa Inês, Igarapé do Meio, Monção, Bela Vista do Maranhão, Pindaré, Tufilândia, Pio XII, Satubinha, Bom Jardim, São João do Caru, Santa Luzia e Alto Alegre do Pindaré.

O CEMA obteve 48,35 pontos. Em segundo lugar na região está o CEEFM Padre Chagas, da cidade de Santa Inês, com 48,21 pontos. Ao lado do Padre Chagas está o CE Roseana Sarney, também de Santa Inês, com 46.31 pontos. As únicas escolas da região que obtiveram uma colocação melhor que o CEMA foram o colégio Horas Alegres e o Colégio Atuação, ambos de Santa Inês, porém pertencentes à rede privada de ensino. O CEMA conseguiu também ficar à frente das escolas públicas de Bacabal, como o CE Roseana Sarney (48.19 pontos) e o CE Pres. José Sarney (48,17 pontos).

As provas do Enem foram realizadas em agosto do ano passado. No Maranhão, 57.151 alunos fizeram as provas objetivas e, destes, 56.492, as de redação.


Enem 2008: inscrições começam em maio


As inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio de 2008 estarão abertas de 5 a 30 de maio. A prova será realizada no dia 31 de agosto, às 13 horas (horário de Brasília).

Podem se inscrever ao ENEM tanto estudantes que vão concluir o ensino médio em 2008 quanto pessoas que já o concluíram em anos anteriores. Todos podem optar por efetuar a inscrição nas agências dos Correios ou pela Internet.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Universidade Estadual do Maranhão lança livros na Academia Brasileira de Letras

Foto: Uema

Hoje, às 9 horas e 30 minutos, no salão nobre da Academia Maranhense de Letras (AML), em São Luis, a Universidade Estadual do Maranhão realiza solenidade de lançamento de dez livros, publicados sob o selo da editora Uema (Eduema). A solenidade será presidida pelo reitor José Augusto Oliveira, e contará com a presença do presidente da AML, Lino Moreira, de autoridades políticas, educacionais, intelectuais e outros convidados.

Ao todo serão lançados dez livros, sendo 9 de professores da UEMA e um de um funcionário da instituição. Textos de alunos e ex-alunos da UEMA também estão presentes no livro Cessin em contos e em cantos, sob a organização da professora Gedite Fontes Tavares. Os outros nove livros são: Catálogo histórico da imprensa maranhense: do prelo ao prego - Capital e Municípios, volumes 1 e 2, de Quincas Vilaneto; RH: treinamento e sua importância nas organizações, de Ilmar Polary; Gestão mercadológica: estratégias eficazes para colocação de produtos no mercado, de José R. S. Morais; Concreto armado na prática, de Ronaldo Sérgio Coelho; Fauna silvestre: conhecer para preservar, de Lígia Almeida Pereira, Lorena Santos Gonçalves e Alana Lisléa de Sousa; Urbanização e desenvolvimento sustentável, de Frederico Lago Burnett; Fundamentos de mecânica das estruturas, de Ângela Hadade Simões e Análise e métodos numéricos para engenharia, de Henrique Mariano do Amaral.

Segundo o Reitor, a data do lançamento das obras coincide com a celebração do Dia Mundial do Livro, instituída pela Conferência Geral da Unesco, em 1996, com o Dia do Direito do Autor, uma conquista reconhecida pela Declaração Universal dos Direitos do Homem e com as datas de morte de dois dos maiores gênios da literatura mundial: William Shakespeare e Miguel de Cervantes, ambos falecidos em 1616, exatamente a 23 de abril. O evento também prestigia os 100 anos da Academia Maranhense de Letras, que serão comemorados no dia 10 de agosto.

O livro Cessin em contos e em cantos é fruto do esforço da professora Gedite Fontes Tavares, que procurou reunir textos de grande qualidade literária, escritos por alunos e ex-alunos do Centro de Estudos Superiores de Santa Inês.

Entre os cantos e contos do livro estão alguns escritos pelo autor desse blog, um dos quais pode ser lido abaixo, o conto Maria:

Maria

Gilcênio Vieira Souza


- O senhor tem certeza que era ela?

- Era ela, tenho certeza.

- O senhor já conhecia ela?

- Eu já tinha visto ela pela BR...

- O senhor só tinha visto ou já transou com ela?

- Transar, assim, não foi bem uma transa não...

O motorista insistia que era Maria, possibilidade que o delegado se recusava aceitar.

Maria nasceu há 17 anos, num lugar chamado Pindura Saia, município de Pio XII, cujo nome é uma homenagem ao papa que, pelo que hoje sabemos, calou-se diante da perseguição aos judeus e protegeu nazistas, ao fim da 2a guerra mundial; não estranhemos essa homenagem: a maioria dos homenageados com nomes de cidades, ruas, obras, são pessoas pouco escrupulosas.

O pai, Maria jamais conhecera. Um homem, a quem o vulgo batizou simplesmente de Zé Grande, engravidou a mãe de Maria e abandonou-a três meses depois para, segundo o dito cujo, ganhar muito dinheiro no garimpo. Não se sabe até hoje quanto ele ganhou, se é que ganhou, ou se perdeu o principal, a vida, que, por motivos óbvios, ainda é o bem mais importante que possuímos (para alguns, o único bem).

Mesmo esperançosa de um dia abrir a porta e encontrar à frente o sorriso dourado de Zé Grande, a mãe de Maria – que também se chamava Maria – juntou-se a um outro homem rude, cortador de juquira, pau pra toda obra, como se costuma dizer, de nome Manoel, mas só conhecido e reconhecido de todos pelo apelido de Pé de Cabra. Com ele, teve mais três filhos, dois meninos e uma menina.

Maria ajudava a mãe a cuidar dos meio-irmãos, a plantar, quebrar coco, fazer carvão e o que mais fosse preciso. Quando Maria tinha seus doze anos, o dito Pé de Cabra, seu padrasto, quando sozinho com ela passou constantemente a cercá-la de falsos carinhos e palavreado ainda mais hipócrita e, por último, a ameaçá-la de morte, caso a menina revelasse para a mãe o assédio que sofria.

Transtornos tais Maria viveu até os 16 anos, quando, ao ser violentada pelo padrasto, chamou a atenção da mãe e outras pessoas mais com gritos e lágrimas. Apesar do flagrante, a mãe acreditou ou fingiu acreditar na inocência de Pé de Cabra, que insinuou que a menina vivia seduzindo-o há algum tempo, com o feitiço do sexo que desabrochava.

A mãe assistiu, sem atitude, o padrasto expulsar Maria de casa, semi-nua e sem nem mesmo um chinelo no pé.

O resultado é que a menina virou prostituta de beira de estrada. E, enganada por alguns clientes que, ao final da transa jogavam para ela uma nota de 1 real (e olha que ela cobrava a mísera quantia de 5 reais), e também por ter aceito aquele valor em dias em que o estômago falava mais alto, Maria se transformou em motivo de chacota entre as colegas de difícil vida fácil, que passaram a chamá-la de rapariga de 1 real.

Poucos meses depois de cair nesse destino sombrio, Maria engravidou. E, no 7º mês de gravidez, foi levada às pressas para o hospital, sofrendo hemorragia.

O médico de plantão não estava e uma das enfermeiras que a atenderam mandou que parasse de gritar, pois, segundo a insensível criatura, “na hora de fazer, não pensou nisso”.

É triste ser lacônico ao descrever as circunstâncias em que vida e morte passam a ter um limite efêmero, mas, em resumo, Maria morreu.

Daí o delegado não acreditar na história contada pelo caminhoneiro, dizendo ser Maria a moça que aparecera na cabine do seu caminhão, perguntando:

- Cadê o meu dinheiro?

O homem declarou ter caído da cabine, com o susto, pois a porta do motorista estava aberta, e desmaiou, não sabendo exatamente por quanto tempo ficara desacordado. Ao acordar, descobriu que todo o seu dinheiro tinha sido levado.

Esse foi o primeiro caso. Contudo, outros relatos já apareceram, conforme as declarações de motoristas vários que percorrem a BR 316 no trecho entre as cidades de Pio XII e Santa Inês.

Todos insistem que a mulher que os atemoriza, chegando repentinamente como que do nada, e leva o dinheiro que trazem consigo,

é Maria...


Com informações da UEMA, disponíveis em: http://www.uema.br/noticias/noticia.php?id=4372

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Juiz Jorge Moreno: uma aula de cidadania em Pio XII – 2ª parte

Foto: Annes Lima Silva Souza

O juiz Jorge Moreno é conhecido nacionalmente pelo trabalho que realiza em prol dos direitos humanos, procurando mostrar aos cidadãos quantos direitos nos são negados pelas classes dominantes, que tentam nos fazer aceitar com resignação as desgraças que nos causam.

Na palestra apresentada por Moreno na terça-feira passada, em Pio XII, entre outras coisas ele destacou as artimanhas utilizadas por algumas prefeituras em conluio com as câmaras municipais, que, em acordo com a Cemar, inserem na conta de energia a cobrança da taxa de iluminação pública. Sem defesa, o consumidor se vê obrigado a pagar a taxa, caso contrário sua energia é cortada. O juiz demonstrou o abuso contra o cidadão, presente nessa arapuca armada por estes políticos.

O juiz lembrou também que a partir do dia 15 abril, ou seja, terça-feira passada, as prefeituras são obrigadas a deixar à disposição dos cidadãos a prestação de contas relativas ao ano de 2007. Grande parte das pessoas presentes à reunião se comprometeu a ir à prefeitura de Pio XII observar se tal direito está sendo respeitado (é bom lembrar que o atual prefeito Raimundo Rodrigues Batalha já está sendo processado por esse motivo, conforme processo nº 0147412007, disponível no site do Tribunal de Justiça do Maranhão).

O autor deste blog, por sua vez, mostrou que Pio XII é uma cidade coronelista, cujos principais políticos vivem da compra de votos e da perseguição aos adversários. Tais políticos, quando saem do poder, estão cada vez mais ricos; quanto à população de Pio XII, continua entre as mais pobres do Brasil.

A reunião foi uma grande aula de cidadania e, ao mesmo tempo, uma audiência pública sem igual na história de Pio XII: tanto pelas verdades incomôdas reveladas pelo juiz Moreno como pelo fato de ter sido transmitida ao vivo pela rádio Babaçu FM. O evento foi parte da Jornada dos Direitos Humanos, realizada pela Diocese de Bacabal, com início no dia 8 de abril e encerramento na próxima sexta, 18, na cidade de Bacabal.


P.S.: o vídeo com os principais trechos da palestra do juiz Jorge Moreno estão disponíveis para quem se interessar (só um detalhe: o áudio não está muito bom devido às limitações da câmera e à acústica do ambiente)